escrito por : Iury Santos Lima 23 de outubro de 2015

Há quase nove meses, Luluzinha Teen anunciava sua edição de despedida, partindo os corações de seus leitores


Em janeiro deste ano, enfrentando uma crise de vendas, Luluzinha Teen & Sua Turma anunciava seu "Até Breve" na edição de número 65, para a tristeza dos leitores. Foram 6 anos de uma caminhada árdua na dura realidade do quadrinhos nacionais, competindo num espaço pequeno, à sombra da Mauricio de Sousa Produções, já que podemos dizer que o pai da Turma da Mônica acaba de certa forma "monopolizando" o mercado brasileiro de quadrinhos. E ainda, há quem diga que Luluzinha Teen é a cópia escarrada da Turma da Mônica Jovem - o que já gerava uma visão torta da revista, diminuindo a saída das bancas. Rebato a esta afirmação dizendo que isso é falta de conhecimento do produto. Luluzinha Teen sempre esteve longe de ser uma cópia, pelo contrário, seu conteúdo sempre foi muito original, carregado de todos elementos reais da vida de todo adolescente e cheio de críticas sociais, derrubando preconceitos e tratando de temas polêmicos, doa a quem doer!

Na edição de número 65, Luluzinha ganha a oportunidade de viajar por todo o mundo com sua avó, durante dois anos. O chato é que isso abalaria de todas as formas a vida da protagonista, bem como a escola, amizades, e seu namoro com o amigo de infância, chamado de Bola na versão adolescente. A partir daí, Lulu se pega a pensar muito em todo o seu futuro, e como uma grande viagem dessas poderia ser uma porta de vantagem maior em todos os seus planos. Afinal, pra quem quer ser jornalista com a garota, uma oportunidade dessas é uma boa! 

A história carrega muita emoção, e o coração do leitor vai apertando a cada página que se passa, revelando desfecho da série. Ao final, reafirmamos a percepção de o quão grande é o coração de Luluzinha, colocando sempre os sentimentos dos amigos e amor que sente por eles à frente de qualquer outra coisa. A história não deixa de trazer um crítica ao cenário político e econômico mundial, afinal, estamos falando de Luluzinha Teen. Se não houvesse uma mensagem maior, estaríamos falando de um quadrinho qualquer por aí.


Só podemos lamentar pela falta de investimento por parte da Ediouro em relação à revista, que por essa razão, teve que engavetar tantos projetos brilhantes, que se realizados, provavelmente a revista estaria nas bancas até hoje. 

Falar de Luluzinha é algo muito empolgante. A revista tinha muito potencial, muito diferencial. Não há comparação ao ler qualquer outro título nacional. Os quadrinhos brasileiros têm uma preocupação muito grande e uma resistência muito forte aos temas com que vão apresentar, deixando-se limitar aos padrões sociais conhecidos por certo ou errado, aceito ou reprovável. O núcleo de personagens de Luluzinha Teen foi estabelecido na preocupação de preencher a uma falha enorme que temos nos nossos quadrinhos: a falta de representação cultural. Tivemos personagens negros, gordinhos demais, magrinhos demais, problemáticos, filhos de pais separados, órfãos, filhos que procuravam por seus pais verdadeiros, nerds, populares, gays, e tantos outros que carregavam uma personalidade real dos leitores, que ao lerem as páginas, se identificavam e sentiam-se fortes. Histórias que iam desde a uma briga escolar, tratando de bullying, como problemas psicológicos, a corrupção na administração pública, namoro homossexual e repreensão familiar por conta disso, etc.  

Luluzinha Teen veio e contribuiu com muitos, e vai deixar muita saudade.

Falando a verdade, muito difícil encontrarmos um gibi tão completo nos próximos anos ou décadas pelas bancas e livrarias do país. Pode parecer até fora da realidade, mas devemos torcer pela volta da revista. Fãs têm força... pensem nisso.

Está nas nossas mãos, vamos nos juntar. ;)





Texto: Iury Santos Lima
Imagens: Divulgação/Reprodução

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